24 dUTC Agosto dUTC 2008 por elianeeliasdasilva
A hora da poesia
não vem co’ a noite,
com o tédio,
o frio,
a solidão.
A hora da poesia
não avisa.
Não se insinua.
Vem bruscamente.
Procura saída
de velhos porões
muito mal conhecidos.
A hora da poesia
é um estado febril.
Mal necessário
à produção literária.
É o minuto sem tempo
em ver-se logo transcrita.
É o assombramento.
É a hora perdida.
SILVA, Eliane Elias da. A Hora da Poesia. In:
DIVERSOS AUTORES. Nova Poesia Brasileira. Rio de Janeiro: Shogun Arte, 1990.
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24 dUTC Agosto dUTC 2008 por elianeeliasdasilva
O vento forte do norte
derrubou o muro.
Berlim.
Era uma vez um muro
de pedra e aço,
vergonha,
embaraço.
Caiu o muro.
Menos um muro.
Berlim respirou ao ser resgatada.
Polis una.
Ocidentoriental.
O povo chorou.
E riu.
Sentiu o desconhecido
(mal falado lado
um do outro).
A cidade despertou.
Tocaram os sinos
da aurora.
Restaram pedaços
(fantasmas
da noite).
Sombras.
SILVA, Eliane Elias da. O Muro de Berlim. In:
DIVERSOS AUTORES. Nova Era. Rio de Janeiro: Shogun Arte, 1990.
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24 dUTC Agosto dUTC 2008 por elianeeliasdasilva
Falta poesia
no dia,
na Ave Maria,
nos pratos da pia,
na poesia.
Falta poesia
no verso,
no riso,
no pranto.
Falta poesia
na chuva,
na noite,
na magia.
Falta poesia
no encontro,
no eu,
no
t
u
d
o…
SILVA, Eliane Elias da. Ausência. In:
DIVERSOS AUTORES. Literatura Brasileira. Rio de Janeiro: Shogun Arte, 1990.
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24 dUTC Agosto dUTC 2008 por elianeeliasdasilva
Passos
Passos
Passos
Passos
Passos
Parou.
Estampido.
Corpo ao chão.
SILVA, Eliane Elias da. A Hora da Poesia. In:
DIVERSOS AUTORES. Literatura Brasileira. Rio de Janeiro: Shogun Arte, 1990.
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12 dUTC Julho dUTC 2008 por elianeeliasdasilva
É tanta neurose em vida,
tanta cicatriz e ferida
que sangra.
Estanca.
Esconde.
E tanta dor lancinante,
tanta navalha que corta,
tanto pensar desgovernado,
tanta alegria morta.
SILVA, Eliane Elias da. Neurovida. In:
DIVERSOS AUTORES. Nova Era. Rio de Janeiro: Shogun Arte, 1990.
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