A hora da poesia
não vem co’ a noite,
com o tédio,
o frio,
a solidão.
A hora da poesia
não avisa.
Não se insinua.
Vem bruscamente.
Procura saída
de velhos porões
muito mal conhecidos.
A hora da poesia
é um estado febril.
Mal necessário
à produção literária.
É o minuto sem tempo
em ver-se logo transcrita.
É o assombramento.
É a hora perdida.
SILVA, Eliane Elias da. A Hora da Poesia. In:
DIVERSOS AUTORES. Nova Poesia Brasileira. Rio de Janeiro: Shogun Arte, 1990.